Manaus chega aos 357 anos neste sábado, 24 de outubro, carregando marcas de diferentes períodos históricos e desafios que continuam presentes no cotidiano de seus moradores. Fundada a partir de um núcleo de ocupação portuguesa no século XVII, a capital amazonense se transformou com a economia da borracha, a implantação da Zona Franca e a expansão urbana. Neste aniversário, a cidade também vive um momento de intensa mobilização política, às vésperas do segundo turno das eleições de 2026.
A data comemorativa ocorre um dia antes de os eleitores amazonenses voltarem às urnas para escolher entre Omar Aziz (PSD) e Professora Maria do Carmo (PL) para o Governo do Amazonas. Nesse cenário, o aniversário da capital oferece uma oportunidade para observar não apenas a trajetória histórica de Manaus, mas também a diversidade política de sua população e as diferentes visões sobre o futuro do Estado.
Uma cidade formada por diferentes períodos históricos
A história de Manaus remonta a 1669, ano convencionado como marco de fundação da cidade, quando foi construído o Forte de São José da Barra do Rio Negro, na margem esquerda do rio Negro. A fortificação foi instalada para consolidar a presença portuguesa em uma região estratégica da Amazônia. Antes da colonização, o território já era habitado por povos indígenas, entre eles os Manaós, cujo nome está associado à denominação atual da capital.
A data de 24 de outubro, celebrada como aniversário de Manaus, marca outro momento dessa trajetória: a elevação do povoado à categoria de cidade, em 1848, quando recebeu o nome de Cidade da Barra de São José do Rio Negro. Em 1856, a localidade passou a ser oficialmente denominada Manaus, em referência ao povo indígena Manaó.
Décadas depois, a capital experimentou uma das maiores transformações econômicas de sua história. Entre o final do século XIX e o início do século XX, o ciclo da borracha impulsionou a construção de edifícios, a modernização de espaços públicos e a expansão da infraestrutura urbana. O Teatro Amazonas, inaugurado em 1896, tornou-se um dos símbolos mais conhecidos desse período, que deixou marcas na arquitetura e na identidade cultural da cidade.
A prosperidade, entretanto, não alcançou todos os moradores da mesma maneira. A economia gomífera também foi marcada por desigualdades sociais e pela concentração de riqueza. Com a perda de espaço da borracha amazônica no mercado internacional, Manaus atravessou um período de retração econômica.
A partir de 1967, a reformulação do modelo da Zona Franca de Manaus estabeleceu incentivos fiscais voltados ao desenvolvimento regional e impulsionou a formação do Polo Industrial. A iniciativa transformou novamente a economia local, ampliando a presença de indústrias e consolidando a capital como um dos principais centros econômicos da região Norte.
Hoje, a cidade reúne patrimônio histórico, atividade industrial, comércio, serviços, manifestações culturais e uma população marcada pela diversidade de origens e experiências. O crescimento urbano, a mobilidade, o acesso aos serviços públicos, a preservação ambiental e as desigualdades sociais permanecem entre os temas que atravessam o debate sobre o futuro de Manaus.
Pesquisa mostra diferentes posicionamentos políticos em Manaus
Em meio à disputa eleitoral de 2026, um levantamento do Instituto Pontual ajuda a dimensionar como os moradores da capital se identificam politicamente. Divulgada em 9 de outubro, a pesquisa ouviu 1.200 pessoas em Manaus, no dia 6 de outubro, com margem de erro informada de 2,83 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
O estudo perguntou sobre o posicionamento político dos entrevistados, agrupando as respostas entre direita ou bolsonarismo, esquerda ou lulismo, centro e ausência de posicionamento político.
Entre os participantes da capital, 38,5% declararam identificação com a direita ou com o bolsonarismo. Outros 23,5% afirmaram se identificar com a esquerda ou com o lulismo, enquanto 4,7% disseram estar no centro. Um grupo de 31,8% declarou não possuir posicionamento político, e 1,5% preferiu não responder.
Os dados revelam que a identificação com a direita foi a resposta mais frequente entre as categorias ideológicas apresentadas pelo levantamento. Ao mesmo tempo, quase um terço dos entrevistados afirmou não se identificar com um posicionamento político específico, indicando que o eleitorado da capital não se resume à divisão entre direita e esquerda.
É importante distinguir esses resultados de uma pesquisa de intenção de voto. O levantamento mediu a identificação política declarada pelos entrevistados, e não a escolha de um candidato para o segundo turno. Portanto, os percentuais não permitem concluir diretamente como cada grupo votará na disputa entre Omar Aziz e Maria do Carmo.
Aniversário em meio à decisão eleitoral
A proximidade entre o aniversário de Manaus e o segundo turno coloca a capital no centro das atenções políticas. A cidade concentra uma parcela expressiva do eleitorado amazonense e representa um território importante para as campanhas, que buscam ampliar apoios e conquistar votos na reta final.
O cenário eleitoral também evidencia que a população não constitui um bloco homogêneo. As diferenças de posicionamento político identificadas pela Pontual convivem com outras preocupações que fazem parte da vida cotidiana, como emprego, renda, saúde, educação, transporte, segurança e infraestrutura urbana.
Ao longo de seus 357 anos, Manaus passou por transformações políticas, econômicas e sociais que alteraram sua paisagem e a maneira como seus moradores vivem e se relacionam com a cidade. Do núcleo histórico às áreas de expansão urbana, a capital continua enfrentando o desafio de conciliar crescimento, preservação ambiental, desenvolvimento econômico e qualidade de vida.
Neste aniversário, a história da cidade se encontra com uma nova escolha política. Enquanto monumentos e espaços históricos preservam parte da memória coletiva, a votação deste domingo (25) representa uma decisão sobre quem conduzirá o Governo do Amazonas nos próximos anos.
Mais do que celebrar a passagem do tempo, os 357 anos de Manaus convidam à reflexão sobre a cidade construída até aqui e aquela que seus moradores desejam para o futuro. A trajetória da capital foi marcada por diferentes ciclos e mudanças. Agora, em meio à disputa eleitoral, a população volta a participar de uma decisão que também terá repercussões sobre os rumos da cidade e do Estado.
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