HomeNotíciasBrasilDisputa por vagas em Psicologia supera Medicina em universidades brasileiras, aponta levantamento

Disputa por vagas em Psicologia supera Medicina em universidades brasileiras, aponta levantamento

Alta procura por Psicologia levanta debate sobre formação de novos profissionais

A graduação em Psicologia tem ganhado espaço entre os cursos mais concorridos do ensino superior brasileiro e, em algumas universidades, já supera Medicina na relação de candidatos por vaga. O cenário foi registrado na Universidade Federal do Ceará (UFC), onde o curso alcançou 47 candidatos por vaga no Sisu 2025, enquanto Medicina registrou 36,7.

Na Universidade de São Paulo (USP), Psicologia também aparece entre as graduações mais disputadas. Na Fuvest 2027, o curso contabilizou 50,9 candidatos por vaga no campus da capital, ocupando a segunda posição no ranking da instituição. Medicina, entretanto, manteve a maior concorrência quando considerados os três campi da universidade, com 76,3 candidatos por vaga.

A procura também se reflete nos dados nacionais. No Sisu 2026, Psicologia foi o curso mais disputado em cinco estados. Já o Censo da Educação Superior do Inep, vinculado ao Ministério da Educação (MEC), registrou 375,6 mil matrículas na graduação em 2024.

O crescimento da procura e do número de estudantes coloca em evidência outro debate: a preparação dos futuros profissionais para um mercado de trabalho diversificado e em transformação.

Formação acadêmica e prática profissional

Nesse contexto, o grupo educacional Artmed anunciou a criação da APSY (Artmed School of Psychology), instituição que prevê iniciar sua primeira turma de graduação presencial em São Paulo, em fevereiro de 2027. Foram anunciadas 75 vagas para a unidade localizada na Vila Olímpia.

A proposta pedagógica da escola prevê atividades de prática deliberada do primeiro ao oitavo semestre, estágios a partir do quarto período e supervisão clínica estruturada durante a graduação. O modelo busca aproximar o conteúdo acadêmico das situações que os estudantes poderão encontrar no exercício da profissão.

“A discussão sobre a formação em Psicologia precisa acompanhar as transformações da profissão. O desafio não é apenas transmitir conhecimento teórico, mas preparar profissionais capazes de analisar situações complexas, trabalhar com evidências científicas e atuar com responsabilidade em diferentes contextos”, afirmou Adriane Kiperman, diretora científica da APSY.

O processo seletivo para ingresso em 2027 também terá diferentes etapas. Além da trajetória escolar e do desempenho acadêmico, serão considerados redação, carta de recomendação, vídeo de apresentação e entrevistas individuais. A instituição informa que também utilizará inteligência artificial em etapas da avaliação, com decisões sob responsabilidade de avaliadores humanos.

Mercado de trabalho e áreas de atuação

A expansão da graduação também chama atenção para a diversidade de possibilidades profissionais. Psicólogos podem atuar em áreas como atendimento clínico, saúde pública, organizações, instituições de ensino, pesquisa e avaliação psicológica.

De acordo com o CensoPsi, pesquisa do Conselho Federal de Psicologia (CFP) com mais de 20 mil profissionais, 73% dos participantes que atuam na área trabalham com atendimento clínico, enquanto 59% exercem atividades em mais de um campo da Psicologia.

Para Adriane Kiperman, o crescimento do número de estudantes deve ser acompanhado por uma discussão sobre a qualidade da formação e o desenvolvimento de habilidades práticas. A preparação dos futuros profissionais, segundo ela, precisa articular conhecimento científico, experiência e supervisão, considerando as diferentes possibilidades de atuação no mercado.

*Com informações do The University Journal

Leia mais: Candidata ao governo pede avaliação do TRE-AM sobre faculdade usada como local de votação

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