O Ministério da Justiça e Segurança Pública voltou atrás na decisão de elevar a classificação indicativa do programa “Record Kids: Desenhos Bíblicos”, exibido pela Record TV. Na terça-feira (3), a pasta restabeleceu a classificação livre para as animações, após reconhecer que a avaliação inicial não considerou integralmente os critérios previstos no Guia Prático de Classificação Indicativa.
A mudança havia sido publicada em 28 de outubro, quando o programa deixou de ser considerado adequado para todas as idades e passou a ser recomendado para maiores de 12 anos. Na ocasião, o Ministério apontou a presença de atos criminosos, drogas lícitas, violência e situações de estigma ou preconceito nas produções.
Com a reavaliação, a Secretaria Nacional de Direitos Digitais concluiu que era necessário considerar o contexto cultural e religioso das histórias apresentadas. O programa reúne 36 episódios de animação baseados em passagens do Antigo e do Novo Testamento.
Segundo o Ministério, o guia de classificação prevê atenuantes para conteúdos associados a tradições religiosas e culturais, além de considerar o formato de animação infantil na avaliação de cenas de violência fantasiosa.
A decisão também esclareceu que a classificação indicativa não representa censura, mas uma orientação às famílias sobre o conteúdo das produções. Dessa forma, a alteração inicial não significava que crianças menores de 12 anos estavam proibidas de assistir aos desenhos.
A reclassificação provocou repercussão política e críticas de parlamentares da oposição, que questionaram os critérios utilizados pelo governo. Após a revisão, o programa voltou oficialmente à faixa livre, sem restrição etária recomendada.


