O número de mortos provocados pelos terremotos que atingiram a Venezuela na noite de quarta-feira (24) subiu para 589, segundo novo balanço divulgado nesta sexta-feira (26) pelo governo venezuelano. De acordo com a presidente interina Delcy Rodríguez, também foram contabilizados 2.980 feridos, enquanto centenas de pessoas seguem desaparecidas nas regiões mais afetadas pelos tremores.
Os dois abalos sísmicos, de magnitudes 7,2 e 7,5, ocorreram com menos de um minuto de diferença e atingiram a região norte do país, próxima à capital Caracas. Considerados os terremotos mais fortes registrados na Venezuela em mais de um século, os sismos provocaram o desabamento de prédios residenciais, danos severos à infraestrutura e um cenário de destruição em diversas cidades.
Especialistas do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) e organismos internacionais alertam que o número de vítimas pode aumentar significativamente nos próximos dias, à medida que as equipes de resgate avançam nas buscas entre os escombros. O órgão americano já havia estimado que o total de mortos poderia ultrapassar a casa dos milhares devido à intensidade dos tremores, à baixa profundidade dos abalos e à alta densidade populacional das áreas atingidas.
La Guaira é militarizada após devastação
Entre as regiões mais castigadas está o estado de La Guaira, localizado na faixa costeira próxima a Caracas. A área foi oficialmente incluída na chamada “zona de desastre” e teve sua militarização anunciada pelo governo venezuelano para reforçar a segurança, coordenar a distribuição de ajuda e apoiar os trabalhos de resgate.
Segundo Jorge Rodríguez, presidente do Parlamento venezuelano, mais de 200 pessoas continuam presas sob os escombros de edifícios destruídos. O governo também contabilizou cerca de 250 construções totalmente derrubadas ou com danos estruturais graves.
Moradores da região seguem mobilizados em mutirões improvisados para localizar parentes e amigos desaparecidos. Grupos criados por familiares nas redes sociais já reúnem registros de mais de 24 mil pessoas cujo paradeiro ainda não foi confirmado.
Corrida contra o tempo por sobreviventes
As operações de busca entraram em uma fase decisiva. Especialistas destacam que as primeiras 72 horas após um terremoto são consideradas fundamentais para o resgate de vítimas soterradas com vida.
Equipes de salvamento trabalham ininterruptamente utilizando cães farejadores, equipamentos de escavação e tecnologia de localização em áreas onde prédios inteiros desabaram. Apesar dos esforços, a passagem do tempo reduz as chances de encontrar sobreviventes.
Além dos danos humanos, milhares de famílias ficaram desalojadas. Estimativas preliminares indicam que milhões de pessoas podem ter sido impactadas direta ou indiretamente pela tragédia, considerada uma das maiores catástrofes naturais da história recente do país.
Ajuda internacional começa a chegar
Diversos países anunciaram apoio humanitário à Venezuela. Nesta sexta-feira (26), equipes internacionais de resgate começaram a desembarcar no país para auxiliar nas buscas e no atendimento às vítimas.
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O Brasil enviou uma missão humanitária composta por bombeiros, técnicos da Defesa Civil e equipamentos especializados para operações urbanas de busca e salvamento. Estados Unidos, Espanha, Alemanha, México, El Salvador e outros países também mobilizaram recursos, equipes médicas e ajuda emergencial.
A Organização das Nações Unidas (ONU), a Cruz Vermelha Internacional e diversas organizações humanitárias estão coordenando esforços para ampliar o atendimento à população afetada e garantir o fornecimento de água potável, medicamentos, alimentos e abrigo temporário aos desabrigados.


