A Polícia Federal (PF) vai incluir a disputa pela posse de uma ilha em Angra dos Reis (RJ), envolvendo o atacante Richarlison, do Tottenham, no inquérito que investiga as relações entre o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) e o advogado Willer Tomaz. A investigação já apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o advogado, que também é investigado por possíveis ligações com fraudes em descontos de benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
O caso ganhou repercussão após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciar que pediria à PF uma investigação sobre a disputa pelo imóvel, localizado na Ilha Comprida, em Angra dos Reis. Em publicação nas redes sociais, Lula questionou a transferência dos direitos sobre a propriedade e afirmou que o jogador teria sido prejudicado após investir R$ 10 milhões na aquisição.
A controvérsia veio a público depois que Richarlison acusou Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz de terem atuado para retirar dele a posse da ilha. Segundo o atacante, o senador teria demonstrado interesse na propriedade, mas ele se recusou a vendê-la.
“Flávio e o tal Willer Tomaz pegaram em 24h a posse da ilha na mão grande e sem gastar um tostão porque eu não quis vender”, afirmou o jogador em vídeo publicado nas redes sociais.
Versões divergentes sobre a propriedade
O empresário Oswaldo Botrel, agente de Richarlison, afirmou à CNN Brasil que o atleta comprou a ilha dos primeiros posseiros, que seriam os donos originais do terreno. O jogador também divulgou documentos que, segundo ele, comprovam a aquisição e os valores envolvidos na negociação.
Willer Tomaz, por sua vez, contesta a versão do atacante. O advogado sustenta que Richarlison adquiriu a propriedade de pessoas que não tinham direito legal de vendê-la e afirma que a compra realizada por sua empresa foi regular, respaldada por escritura pública, registro em cartório e documentação da Secretaria do Patrimônio da União (SPU).
“Você comprou a ilha de invasores. Eu tenho a escritura de compra e venda”, declarou Tomaz em vídeo divulgado nas redes sociais.
O advogado também afirma que a empresa ligada a ele venceu disputas judiciais relacionadas ao imóvel, incluindo decisões no Superior Tribunal de Justiça (STJ), e sustenta que a ação foi encerrada após a desistência apresentada em 2025.
Flávio Bolsonaro nega envolvimento
O senador Flávio Bolsonaro nega ter participado da compra ou venda da propriedade. Segundo a versão apresentada por sua assessoria à imprensa, ele não adquiriu, vendeu ou intermediou o imóvel e não é parte da disputa judicial entre Richarlison e a empresa ligada a Willer Tomaz.
Reportagens sobre o caso apontam que Flávio esteve na propriedade em 2021 e foi incluído como testemunha em processo relacionado à disputa. O senador, no entanto, nega ter vínculo com a negociação.
Além da apuração policial, o grupo Derrubando Muros, formado por sociólogos, empresários e juristas, solicitou ao Ministério Público que investigue a atuação do senador no episódio. O pedido menciona suspeitas de advocacia administrativa e grilagem, que ainda precisam ser apuradas pelas autoridades competentes.
A inclusão da disputa pelo imóvel no inquérito da PF amplia o escopo da apuração sobre as relações entre Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz. As acusações relacionadas à posse da ilha permanecem contestadas pelos envolvidos, e a investigação deverá esclarecer as circunstâncias da transferência dos direitos sobre a propriedade.
*Com informações da CNN
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