Manaus já registra quase 1,2 mil ocorrências de incêndio em 2026, segundo levantamento com dados do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM). O cenário chama atenção principalmente pelo avanço dos incêndios florestais, que tiveram crescimento superior a 300% na comparação apresentada pela corporação.
O aumento ocorre justamente no período em que o Amazonas entra na fase mais crítica da estiagem, quando a redução das chuvas, as temperaturas elevadas e a vegetação mais seca favorecem a propagação do fogo.
Os números registrados ao longo do primeiro semestre já apontavam uma tendência de crescimento em alguns tipos de ocorrência. Somente em junho, por exemplo, Manaus contabilizou 51 incêndios residenciais, contra 31 no mesmo mês de 2025 — alta de aproximadamente 64%. Em abril, foram 48 casos, mais que o dobro dos 23 registrados no mesmo mês do ano passado.
Incêndios florestais preocupam durante estiagem
A escalada das ocorrências em áreas de vegetação amplia a preocupação das autoridades para os próximos meses. Em julho, o Corpo de Bombeiros já havia informado que os registros de incêndios florestais no Amazonas haviam passado de 32 para 71 ocorrências, mais que dobrando no período analisado.
A tendência é de atenção redobrada principalmente entre agosto e outubro, período tradicionalmente marcado pelo verão amazônico e pela redução das chuvas.
O próprio Governo do Amazonas antecipou o risco e decretou, em junho, estado de emergência climática e ambiental de forma preventiva. O documento considera a possibilidade de estabelecimento do fenômeno El Niño no segundo semestre de 2026 e início de 2027, com potencial para reduzir as precipitações na Região Norte, elevar as temperaturas, prolongar a estação seca e aumentar o risco de incêndios florestais.
Crescimento também aparece nos incêndios residenciais
Além do fogo em áreas de vegetação, os incêndios dentro de residências também apresentaram crescimento em Manaus neste ano.
Dados apresentados pelo CBMAM mostram que foram registrados 27 incêndios residenciais em janeiro, 34 em fevereiro, 39 em março, 48 em abril, 35 em maio e 51 em junho. Somados, os seis primeiros meses tiveram 234 ocorrências desse tipo.
No mesmo período de 2025, foram 168 registros. Isso representa um aumento de aproximadamente 39% no primeiro semestre deste ano.
O cenário contrasta ainda com o balanço geral de 2025. Em todo o Amazonas, o Corpo de Bombeiros havia contabilizado 555 ocorrências de incêndio em residências e outras edificações ao longo do ano passado, sendo 267 em casas e 288 em outros imóveis.
Estado reforça estrutura contra queimadas
Diante do risco de agravamento dos incêndios durante a estiagem, o Corpo de Bombeiros lançou, no fim de maio, a Operação Amazonas + Verde, direcionada principalmente aos municípios que costumam concentrar focos de queimadas.
A operação prevê reforço de mais de 300 bombeiros no interior do estado, além do envio de viaturas e equipamentos para ampliar a capacidade de resposta, sobretudo nos municípios do sul do Amazonas.
A corporação também reforçou a capacitação do efetivo. Em maio, 43 militares concluíram o Curso de Prevenção e Combate a Incêndios Florestais, com 300 horas de treinamento voltado especificamente para atuação durante a estiagem.
Outra frente envolve ações educativas. O plano de educação ambiental do CBMAM prevê atividades em comunidades rurais, indígenas, áreas urbanas e escolas, com orientações para reduzir queimadas e incêndios florestais.
Foco de calor e incêndio não são a mesma coisa
Apesar de frequentemente aparecerem juntos nos levantamentos sobre queimadas, foco de calor e ocorrência de incêndio representam indicadores diferentes.
Segundo o Corpo de Bombeiros, o foco de calor é identificado por sistemas de monitoramento por satélite e indica uma área com temperatura elevada. Já o foco de incêndio corresponde à ocorrência efetiva de fogo que pode demandar atuação das equipes de combate.
O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mantém o Programa Queimadas, que monitora focos de fogo ativo por satélite em todo o país e disponibiliza dados em tempo quase real.
A distinção é importante porque os números de focos detectados por satélite não devem ser comparados diretamente com a quantidade de chamados e ocorrências atendidas pelo Corpo de Bombeiros.
População pode ajudar a evitar incêndios
O Corpo de Bombeiros orienta a população a não utilizar fogo para limpar terrenos, evitar a queima de lixo e não jogar pontas de cigarro acesas em áreas de vegetação. Em propriedades maiores, a corporação também recomenda a criação de aceiros para impedir que eventuais chamas avancem para outras áreas.
Dentro de residências e estabelecimentos, a recomendação inclui evitar a sobrecarga de tomadas, retirar carregadores sem uso da rede elétrica, realizar manutenção periódica em aparelhos de ar-condicionado e manter materiais inflamáveis longe de fontes de calor.
Com a aproximação dos meses mais secos do ano e a possibilidade de agravamento das condições climáticas, o crescimento das ocorrências coloca Manaus e o restante do Amazonas em estado de atenção para o avanço das queimadas e os possíveis impactos da fumaça sobre a população.
*Com informações do G1 Amazonas


