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O que muda se a maioridade penal cair para 16 anos? Entenda a proposta discutida na Câmara

Se a mudança for aprovada, pessoas com 16 anos ou mais poderão responder criminalmente como adultos

A Câmara dos Deputados deve instalar nesta quarta-feira (12) uma comissão especial para analisar a proposta que reduz de 18 para 16 anos a idade mínima para responder criminalmente como adulto no Brasil.

A proposta altera o artigo 228 da Constituição. Atualmente, menores de 18 anos não podem ser responsabilizados criminalmente pelas mesmas regras aplicadas aos adultos e estão sujeitos a uma legislação específica.

Se a mudança for aprovada, pessoas com 16 anos ou mais poderão responder criminalmente como adultos.

Como será a tramitação

A comissão especial será responsável por discutir o conteúdo da proposta e elaborar um parecer. Depois dessa etapa, o texto poderá seguir para votação no plenário da Câmara.

Para ser aprovado na Câmara, o projeto precisará de pelo menos 308 votos favoráveis, em dois turnos de votação.

Caso passe pelos deputados, a proposta ainda terá de ser analisada e votada pelo Senado Federal.

Após a instalação da comissão e a escolha dos integrantes pelos partidos, os deputados terão inicialmente 10 sessões do plenário para apresentar mudanças ao texto.

Depois desse período, o relatório do deputado responsável pela proposta poderá ser votado dentro da própria comissão. O colegiado poderá funcionar por, no máximo, 40 sessões do plenário.

Se a comissão não analisar a proposta dentro do prazo, o presidente da Câmara poderá decidir levar o texto diretamente ao plenário.

O que dizem os defensores e críticos da proposta

A redução da maioridade penal é alvo de divergências entre os deputados.

Durante a votação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), em junho, parlamentares da base do governo argumentaram que a mudança atingiria direitos e garantias fundamentais previstos na Constituição, que não poderiam ser modificados por uma PEC por serem considerados cláusulas pétreas.

O relator da proposta, deputado Coronel Assis (PL-MT), apresentou entendimento contrário. Para ele, a redução da idade penal para 16 anos não entra em conflito com a Constituição ou com tratados internacionais assinados pelo Brasil, desde que sejam mantidos direitos específicos para adolescentes durante um eventual processo criminal.

Discussão foi separada da PEC da Segurança

A discussão ganhou força durante a tramitação da PEC da Segurança Pública, apresentada inicialmente pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A proposta original não previa a redução da maioridade penal. O tema chegou a ser discutido durante a tramitação, mas acabou retirado antes da votação.

Na época, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), defendeu que a questão fosse analisada separadamente.

A justificativa foi de que incluir a redução da maioridade penal na PEC da Segurança poderia aumentar a resistência no Senado e colocar em risco a aprovação de todo o texto.

(*)Com informações do G1

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