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Colisão entre trens de alta velocidade deixa ao menos 64 mortos e 80 feridos na Espanha

Acidente ocorreu na província de Toledo, nesta quarta-feira (28), e já supera o número de vítimas fatais da tragédia de Adamuz, registrada em janeiro deste ano

Uma colisão entre dois trens de alta velocidade deixou pelo menos 64 mortos e cerca de 80 feridos na manhã desta quarta-feira (28), na província de Toledo, região central da Espanha. O acidente ocorreu próximo à estação de Urda, a aproximadamente 150 quilômetros de Madri. As autoridades espanholas alertam que o número de vítimas pode aumentar conforme avançam os trabalhos de resgate.

Segundo informações divulgadas pelo governo regional de Castilla-La Mancha, o acidente aconteceu por volta das 8h54, no horário local, envolvendo um trem da empresa estatal Renfe e outro da companhia privada Iryo, que circulavam pela linha ferroviária entre Madri e Sevilha.

As primeiras informações apontam que o trem da Renfe atingiu a parte traseira de uma composição da Iryo, que estava parada nos trilhos. Com a força do impacto, dois vagões descarrilaram e caíram em um barranco próximo à ferrovia, dificultando o acesso das equipes de emergência.

O presidente da comunidade autônoma de Castilla-La Mancha, Emiliano García-Page, confirmou o balanço de vítimas e alertou para a possibilidade de novas mortes, já que os socorristas ainda não haviam conseguido acessar completamente os vagões atingidos.

Equipes de bombeiros, profissionais de saúde, agentes de segurança e integrantes dos serviços de emergência foram mobilizados para atender as vítimas. O governo regional também acionou o Plano Territorial de Emergência e solicitou o apoio da Unidade Militar de Emergências (UME).

Autoridades investigam causas da colisão

As circunstâncias do acidente ainda são investigadas. Informações preliminares divulgadas pela imprensa espanhola apontam a possibilidade de uma falha humana no controle da circulação ferroviária.

De acordo com fontes governamentais ouvidas pelo jornal espanhol El País, um operador do centro de controle de Atocha, em Madri, teria autorizado a continuidade da viagem de um dos trens, apesar da presença de outra composição na mesma via.

A hipótese, no entanto, ainda depende de confirmação pelas autoridades responsáveis pela investigação.

Em consequência do acidente, a administradora da infraestrutura ferroviária espanhola, Adif, anunciou a suspensão da circulação dos trens de alta velocidade entre Madri, Ciudad Real e a região da Andaluzia. As empresas ferroviárias também ativaram protocolos de assistência às vítimas e seus familiares.

Nova tragédia supera acidente de janeiro

O acidente desta quarta-feira ocorre apenas nove meses depois de outra tragédia ferroviária registrada na Espanha. Em 18 de janeiro de 2026, uma colisão envolvendo dois trens de alta velocidade na região de Adamuz, na província de Córdoba, deixou 46 mortos e mais de 120 feridos.

Antes da atualização do número de mortos em Toledo, fontes do governo espanhol já demonstravam preocupação com a dimensão do novo acidente, alertando que a tragédia poderia superar a registrada em Adamuz.

Com pelo menos 64 mortes confirmadas, o acidente desta quarta-feira já ultrapassou o número de vítimas fatais da colisão de janeiro e se tornou o desastre ferroviário mais letal no país desde 2013, quando um descarrilamento próximo a Santiago de Compostela deixou 80 mortos.

Governo espanhol acompanha resgate

O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, cancelou compromissos oficiais e se deslocou até a região do acidente para acompanhar os trabalhos das equipes de emergência.

Em manifestação nas redes sociais, Sánchez expressou solidariedade às vítimas e familiares e informou que mantém contato com o Ministério dos Transportes e com o governo de Castilla-La Mancha.

As autoridades seguem mobilizadas na retirada de vítimas dos vagões danificados, no atendimento aos feridos e na investigação das causas da colisão. O balanço de mortos e feridos ainda poderá ser atualizado nas próximas horas.

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