O Amazonas apresenta a maior diferença na cobertura de esgoto entre a capital e o interior do país. Enquanto Manaus tem 81,7% da população atendida pela rede geral, nos demais municípios do estado o índice é de apenas 14%, uma distância de 67,7 pontos percentuais. Os dados são do estudo “Saneamento Básico: Investimento para Transformar o Brasil”, elaborado pelo Itaú BBA em parceria com a Inter.B Consultoria.
O levantamento aponta que 68,5% dos brasileiros contam com esgoto destinado à rede geral. O percentual chega a 89,8% no Sudeste, mas cai para 29,5% no Norte. Nas áreas rurais da região, 97,6% da população não possui rede coletora.
Segundo Eduardo Corsetti, Co-Head da Diretoria de Infraestrutura e Energia do Itaú BBA, os números evidenciam a necessidade de investimentos que considerem as diferenças regionais e as características de cada território.
Investimentos e desafios
O estudo prevê R$ 201,5 bilhões em investimentos anunciados ou em estruturação para o saneamento entre 2026 e 2030. A expectativa é que os desembolsos alcancem R$ 44,2 bilhões em 2027.
Enquanto Sul e Sudeste concentram recursos na modernização das redes e na redução de perdas, Norte e Nordeste precisam priorizar a ampliação do acesso aos serviços. O levantamento também destaca o potencial de retorno econômico dos investimentos: segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), cada dólar aplicado em saneamento gera, em média, US$ 4,30 em benefícios.
Experiências em outras regiões mostram possibilidades de avanço. Em Teresina, a cobertura de esgoto aumentou de 19% para 59%. Já no Vale do Ribeira, em São Paulo, 23 municípios alcançaram 100% de cobertura com a implantação de estações modulares.
Meta de universalização até 2033
Além de ampliar o atendimento, o Brasil precisa melhorar a eficiência dos sistemas existentes. Estudo do Instituto Trata Brasil, em parceria com a GO Associados, aponta que 39,53% da água tratada foi perdida durante a distribuição em 2024.
A estimativa é que reduzir esse índice para 25% permitiria economizar 2,8 bilhões de metros cúbicos de água por ano e gerar ganhos de aproximadamente R$ 47,3 bilhões até 2033.
O Marco Legal do Saneamento estabelece como metas atender 99% da população com água potável e garantir coleta e tratamento de esgoto para 90% dos brasileiros até 2033. Para alcançar esses objetivos, o setor precisará manter investimentos próximos de R$ 48 bilhões anuais.
No Amazonas, a desigualdade entre a capital e os demais municípios reforça a necessidade de ampliar a infraestrutura, com soluções adaptadas à realidade de cada localidade.


